Quando estava no 2º ano, minha professora pedia para que lêssemos alguns livros, e óbvio que Machado de Assis estava no meio. Só que ela colocava isso como uma obrigação pra nós, era uma imposição. A cada 15 dias tinha prova de um livro diferente. O porquê disso eu não sei. Se era pra conhecer as obras ou se interessar por elas, a pressão que a professora fazia não serviu de nada, pois eu não me interessei e conheci assim, por cima, dando uma tapeada em resumos e biografias.
Dom Casmurro, que é o ó do borogodó da literatura, dormi no segundo capítulo, Helena me deu tédio, e os outros nem comento sobre. Tinha uma dificuldade imensa pra conseguir prestar atenção e me interessar por esses clássicos, principalmente por Machado de Assis. Enfim, chegou no fim do ano só tinha lido dois livros que ela pediu pra ler: Ubirajara, do José de Alencar e O Xangô de Baker Street, do Jô Soares, e continuei sem nenhum pique pra ler qualquer obra do Machado, livro, conto, tudo.
Passei pro 3º ano e já pensando: "Porra! Vão me pedir pra ler aqueles negócios de novo". Mas ainda bem que peguei um professor que pensava como eu. Que a gente tem que ir atrás de um livro, de uma história, descobrir do que a gente gosta de ler, que não existe essa coisa de "não gosto", o problema está na maneira na qual a pessoa chega à uma obra, um autor. Não pode ser forçado, a iniciativa tem que partir de nós mesmos ou de no máximo uma indicação, assim tornando a leitura algo encantador.
E agora, que já terminei os estudos, ando me interessando por aquele tal de Machado de Assis, um que uma época atrás ouvi falar vagamente em algumas aulas de língua portuguesa, conversas de desesperados para passar no vestibular ou em alguma reportagem. E sabe por que? Porque me despertou vontade de conhecer mais esse moço, se é por causa de seu centenário e estarem falando muito dele, não sei, mas o que importa é que agora sim, por livre e espontânea vontade, estou interessada por suas histórias.